São 1500 a 2 mil trotes por dia recebidos pela Central do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu ) de Salvador. O mais grave de tudo, segundo o coordenador Ivan Paiva, 90% são praticados por crianças e adolescentes. A novidade é que os pais ou responsáveis destes menores serão responsabilizados com mais rigor, porque um programa novo está sendo instalado no sistema com mais eficácia para identificação de chamada e o número de vezes, formando uma espécie de relatórios que serão encaminhados para o Ministério Público e para as operadoras dos telefones para que os donos sejam responsabilizados.
Outra medida apontada pelo coordenador do serviço de atendimento, para coibir com os trotes é de que será intensificado o Projeto Samu nas Escolas, que consiste em uma equipe de profissionais visitar as escolas para mostrar a importância do serviço e como é prejudicial o trote para o retardamento do atendimento de um paciente que realmente necessita dos cuidados médicos urgentes.
“Trabalhamos atualmente com escolas municipais e queremos estender este projeto para as escolas estaduais e particulares”, afirmou Paiva. Sobre as consequências dos trotes, o médico disse que “termina retardando o atendimento de outra pessoa que necessita realmente” lamentou, complementando que se perde muito tempo na checagem, até descobrir que é trote. Um exemplo: quando manda colocar o suposto doente no telefone e a criança ou adolescente diz que não pode, já é um sinal que é trote.
Para o coordenador, com livre acesso a celulares por parte das crianças e adolescentes, estes trotes se intensificaram, pois antes tinham origem nos telefones públicos.
Consciência
“Isto depende da consciência dos pais. Quando dão um celular para um filho menor devem orientá-los para não fazer isto, porque podem estar matando alguém naquele momento. E que poderia muito bem ser o avô deles”, declarou.
De acordo com Paiva, estas crianças ligam para pedir socorro paracachorro, boneca ou para brincar mesmo. Mas um fato que chamou a atenção, no ano passado, não se tratava de criança, mas de uma mulher que ligou 672 vezes. “Descobrimos que ela tinha distúrbio psicológico, dizendo que estava com uma série de doenças”, contou, acrescentando que “o grande agravante é que não gera ônus para quem liga, já que o serviço 192 é gratuito”.
A esperança do médico é este novo sistema que vai identificar a chamada, ter a relação do número, formando um relatório das chamadas, que depois será encaminhado para o Ministério Público e às operadoras, para as devidas responsabilidades.
“No programa que está sendo implantado, a chamada será controlada e poderá ser comprovada. Os pais ou responsáveis vão ter que se responsabilizar pelo comportamento do filho e arcar com as consequências”, afirmou.
Paiva frisou que mesmo com este número absurdo de trote, nunca deixam de atender um paciente, embora com atraso. “Normalmente não deixamos de atender os pacientes, por que são várias ambulâncias espalhadas nos bairros. O que pode ocorrer é o tempo de deslocamento de um atendimento falso para um verdadeiro”.
O coordenador do Samu explicou ainda que quando a ambulância chega em um bairro distante, exemplo Itapuã, verifica que é falso e, neste mesmo momento, é chamada para atender no centro, por não haver nenhuma ambulância disponível mais próximo, este percurso aumenta o tempo de espera do paciente, o que pode ser fatal.
Por Noemi Flores
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