Imagine que
você vá viver até, pelo menos, os 88 anos. Com lucidez, saúde e felicidade. Até
os 108, talvez. Fato é que nossa expectativa de vida aumentou e, se chegarmos
lá, entre os 18 e os 88 teremos desfrutado de 70 anos de vida adulta.
Agora pense na
duração da infância. Oficialmente, são 18 anos, menos de duas décadas, 20% dos
88 esperados.
Esse é o tempo
que temos para descobrir o mundo a nossa volta, brincar com os amigos, ver
figuras nas nuvens, desenhar sonhos no caderno, imaginar futuros para nós,
inventar histórias impossíveis. Entender quem somos e desfrutar do único
período em que não teremos de carregar o peso da responsabilidade, um quinto da
nossa vida.
Mais do que
uma questão de quantidade de tempo, porém, esse período é essencial para a formação
de cada ser humano. Você pode ter oportunidades, recomeçar a vida em muitos
momentos da maturidade, mas não há como recuperar a infância perdida, a
infância não vivida, a infância roubada.
E o que
podemos fazer para acabar com o trabalho infantil? Como você pode participar?
Lendo esse texto? Repassando a coluna para os amigos? Apoiando uma ONG,
engajando-se no Promenino?
Disseminando a ideia de combate ao trabalho infantil, denunciando pessoas que
empregam crianças de forma criminosa? A resposta é ‘sim’ para todas. A resposta
é apoiar a causa em todas as instâncias.
É verdade que
muitas famílias de renda baixíssima veem nas crianças uma tentativa de melhorar
de vida, mas está errado. O que parece uma solução da falta de recursos, na
verdade, é a perpetuação da miséria.
Na nossa
geração, há muitos adultos que batem no peito com orgulho, dizendo: “Mas eu
trabalhei quando era criança e isso formou meu caráter! Trabalhar não faz mal a
ninguém”. Faz. Porque não é só o quanto o trabalho abusa das crianças, mas tudo
o que essa exploração tira dela.
A criança
explorada é aquela que, em vez de um lápis colorido na mão, tem uma enxada.
Que em vez de
ouvir o sinal do recreio, ouve ordens.
Que em vez de
professor, tem patrão.
Em vez de
escola, trabalho.
Em vez de
rabisco, cicatriz.
Em
vez de carinho, dor.
Em vez de
oportunidade, abuso.
Em vez de
futuro, sina.
Trabalho
infantil.
Não.
Por Rosana
Hermann, Colunista da Rede Promenino

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