Durante
a Copa do Mundo a alegria e diversão estão por toda parte, mas um evento
internacional pode significar também um aumento da exposição e vulnerabilidade
de crianças e adolescentes a situações de violência. As pessoas viajam
motivadas por diferentes razões como conhecer novos lugares, culturas, pessoas,
vivenciar outras experiências. Mas em alguns casos a atividade turística está
associada à exploração sexual de crianças e adolescentes. Em alguns lugares, o
turista inclusive encontra condições favoráveis para a prática desse crime nos
locais de destino. Mas esse problema não é recente e nem acontece somente
no Brasil.
O tema da
exploração sexual de crianças e adolescentes começou a se tornar um problema em
todo o mundo, após a fundação da ECPAT (End Child Prostitution, Child
Pornography and Traffcking of Children for Sexual Purposes/Fim da Prostituição
Infantil, Pornografia Infantil, Tráfico de Crianças para Propósitos Sexuais).
Em 1990, pesquisadores e consultores apresentaram dados sobre o aumento da
exploração sexual infantil em países asiáticos com a Tailândia liderando o
ranking como o mais vulnerável para esse tipo delito, pelo seu grande
potencial turístico. A consulta terminou com a determinação de agir
imediatamente, e foi estabelecida uma campanha de três anos para prevenir e
erradicar a exploração sexual de crianças e adolescentes.
Em 1996, em
parceria com o UNICEF e o Grupo de ONGs para os Direitos da Criança, aconteceu
o primeiro Congresso Mundial contra a Exploração Sexual Comercial de Crianças e
Adolescentes em Estocolmo, na Suécia. O Congresso foi organizado pelo Governo
da Suécia, que também desempenhou um papel importante em atrair apoio e
participação de 122 outros governos. Começava aí um movimento mundial contra a
exploração sexual infantil.
Nos dois anos
anteriores ao Congresso Mundial, ONGs brasileiras, ONGs internacionais e o
governo brasileiro já tinham detectado esse mesmo problema nas áreas mais
pobres e com grande fluxo de turistas. No Brasil, a exploração sexual de
crianças e adolescentes ocorrem com maior frequência nas regiões de praia, nas
fronteiras estaduais, internacionais e nas grandes capitais. Nos estados do
Nordeste, ainda há uma maior incidência da prática de turismo sexual com
crianças. As estatísticas mostram que 80% das crianças exploradas são meninas e
20% meninos. De acordo com os números publicados pela Secretaria de Direitos Humanos,
as capitais que lideram são Fortaleza e Salvador. A exploração sexual de
crianças e adolescentes é crime e a lei brasileira não penaliza somente
quem pratica, mas também quem facilita ou age como intermediário.
Com o país
sendo anfitrião de grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, e
sabendo do risco que as comunidades e suas crianças iriam correr através das
grandes obras e do aumento do turismo nessas épocas, as ONGs da aliança
estratégica contra a exploração sexual infantil, como ECPAT, Childhood,
ChildFund, Happy Child e Plan International Brasil, se uniram para criar
campanhas e ações publicitárias apoiando a mensagem da Secretaria de Direitos
Humanos, e o Disque 100, publicitando assim a mensagem contra o turismo sexual
e a exploração sexual infantil nos destinos mais procurados para essa prática.
O slogan “Não desvie o olhar” é o mote da campanha da Secretaria e também de
todas as ONGs da aliança.
Esse é um
momento em que as pessoas tendem a encarar as situações com um senso de maior permissividade,
abrindo mais possibilidades para a violência, especialmente a sexual, contra
crianças e adolescentes. Muitas famílias em situação de pobreza ainda enxergam
que o encontro de uma menina com um estrangeiro, poderá ser uma boa oportunidade para
uma melhora de vida daquela família. Talvez esse seja um dos motivos pelo
número tão baixo de denúncias relativas à exploração sexual através do turismo
no Disque 100. No ano de 2013, em um universo de 7.217 denúncias, o serviço
recebeu somente 84 relativas a turismo sexual.
Podemos
concluir que ainda é um problema velado na sociedade brasileira, talvez por
falta de conhecimento e entendimento sobre a prática. Por isso, as organizações
sociais têm trabalhando em vários eixos de atuação na conscientização sobre o
tema, que vão desde uma atuação direta nas comunidades desses locais a uma ação
no mercado turístico e hoteleiro, nos principais aeroportos e com o público em
geral. Estão sendo feitas capacitações, seminários, ações de marketing,
campanhas virais nas redes sociais, links patrocinados na procura do Google e
filmes publicitários nas TVs e cinemas.
As ONGs sabem
que não vão conseguir solucionar o problema de exploração sexual infantil
imediatamente, mas acreditam que a união faz a força e todos juntos,
comunicando uma única mensagem, poderão ajudar muito a coibir essa prática
criminal.
Fonte: Promenino

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